sábado, 11 de julho de 2009

um



Foto: Cátia Burton

um


desconheço o amor
como única verdade
e só então renasço,
intrépido e inédito

e sob os fragmentos
de uma nova primavera
ressurge, silenciosa e singela,
esperança que me regenera
da prima devastação

parece fácil
se revelar estranho
pelo simples fato
de ser desconhecido

parece árduo o mergulhar
no azul opaco dos olhos rasos
daqueles que amam
e desconhecem serem amados

sou gesto
em mundo de palavras vãs

aquarela
em mundo monocromático

um milhão de raios
em um dia ensolarado

parece fácil escapar
da iminência de ser comum
parece tão fácil
se afirmar e não ser só um

me abrigo em teus braços
mares que desconhecem a dor,
nem tudo no mundo é estranho,
desamor


Wagner Miranda

5 comentários:

Ana Amalia disse...

parabéns por essa arte!

Marcela Brunelli disse...

Eu já te elogiei via gtalk, mas não custa nada fazê-lo de novo.
Obrigada por escrever tão belas palavras e não guardá-las só para si.

Saudades das conversas sem pé nem cabeça. =)
Bjinhos e continue postando e comentando!

maopequena disse...

show this to the russian and you're gold!

Tânia L. Barros disse...

Fase bastante inspirada, Wagner!
Belos poemas!

Beatriz Galvão disse...

Oi, Wagner!

Vim retribuir a visita ao Insólita Insone e me deparo com este belo poema! Fez-me lembrar de um antigo meu, que se chama Paleta Auto-Biográfica:

Um vulcão
que se sonha raso.
Um novelo
que se sonha manta.
Um arco
que se sonha íris.

Uma paleta
que se pretende red.
Uma colina
forjando planície.
Um cacto
tentando ser rosa.
-(canela no sonho de um cravo)-

Um profundo, real, profano
que se desenha, desautorizadamente,
liso, suprareal, divino.

Todos os dedos fechados
Todos os olhos (en)faixados
com o ventre em erupção.
Noite/fivela
e o avesso do avesso do avesso.

Eu´s,
em indefinidas (re)composições.